Doentes crónicos arriscam pagar remédios gratuitos

A lista dos 5 medicamentos grátis para pensionistas muda em Outubro. Utentes com receitas antigas terão de as renovar ou pagar a diferença caso os seus remédios saiam da lista

A partir de 1 de Outubro, milhares de doentes crónicos do regime especial arriscam ter de pagar por medicamentos a que antes acediam de graça. A revisão trimestral de preços vai trazer alterações à lista dos cinco medicamentos mais baratos em cada área e, por isso, a comparticipação a 100% pode não abranger os mesmos dos últimos três meses. Médicos e associações alertam que muitos doentes têm receitas para seis meses e podem ter de pagar por um remédio, a menos que peçam nova receita.

O cenário irá ocorrer a cada três meses no âmbito das revisões dos preços de referência (genérico mais caro por área). E a indústria alerta que, perante um negócio que abrange 1,3 milhões de portugueses, “as empresas, de genéricos ou não, estejam a debater-se para conseguir colocar os produtos entre os cinco mais baratos”, diz fonte da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos (Apogen), que calcula que haja 180 substâncias activas com genérico.

Este “suicídio colectivo”, devido à prática de preços demasiado baixos, avisa a mesma fonte, “vai afectar sobretudo doentes crónicos com fracas condições e polimedicados”. Nestes casos, estes doentes apenas terão acesso a remédios gratuitos no escalão A. De resto, terão um acréscimo de 15% à comparticipação de cada escalão, que será assim de 84%, 52% ou 30% sobre o preço do genérico mais caro. Muitos medicamentos líderes de vendas, como os do colesterol ou estômago, estão nestes escalões.

O secretário de Estado Óscar Gaspar admite “que medicamentos gratuitos deixem de ter apoio com esta revisão”. Mas a tutela diz que se vai “estar atento para que os cidadãos, sobretudo os mais necessitados, possam beneficiar do regime de comparticipação mais favorável a que possam ter direito”.

Carlos Aguiar, cardiologista do Hospital de Santa Cruz, alerta que “as doenças cardíacas são maioritariamente crónicas, por isso passamos muitas receitas a seis meses. Preocupa-me que estes doentes cheguem à farmácia e percam apoio a 100% porque nós trancamos as receitas. Ainda por cima, os doentes são informados de que há uma alternativa mais barata quando a responsabilidade não é nossa”, refere. A velocidade destas mudanças, que visavam integrar rapidamente genéricos em novas áreas, só pode ser travada com uma alteração da lei ou com receitas não trancadas, que permitam a troca na farmácia. Mas os médicos alertam para os perigos de tal prática (ver texto em baixo).

BernardoVilas Boas, da Associação Nacional das USF, diz que grande parte dos doentes, especialmente idosos, “levam consigo três vias, ou seja, três receitas com prazo de seis meses”. Para contornar a questão, podem tentar levantar as receitas de uma vez, o que é raro acontecer. Ainda por cima, os doentes também levam muitas vezes remédios que não têm genérico, o que implicava terem de pagar tudo de uma só vez”.

Luís Araújo, imunoalergologista da Associação Portuguesa de Asmáticos, diz que, só no meio milhão de casos da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica “há 60% a 80% de idosos, parte dos quais com apoio a 100%”. São pessoas a quem passam receitas triplas com frequência. “Estamos a falar de reformados que têm de ir às consultas pedir novas receitas, obrigando o médico a recebê-las de novo para ajustar a mediação”, alerta. DN Online

+Ler notícia: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1657334

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