A crise já deixou de ser sentida apenas pelos que perderam o emprego

Neste ano e no próximo, ao contrário de 2009, Portugal vai ter uma inflação positiva, taxas de juro a subir e uma contenção salarial generalizada

Depois de criar milhares de novos desempregados, a crise está a chegar a quem conseguiu manter os seus empregos. A seguir a um ano de 2009 em que, apesar da forte contracção da economia e do emprego, os salários reais continuaram, em média, a subir e as taxas de juro estiveram em trajectória descendente, os portugueses vão passar, durante este ano e o próximo, por um período de contenção salarial, quebra do rendimento disponível e redução do consumo. A austeridade alarga-se à generalidade das famílias portuguesas e por isso, em 2011, a economia volta a abrandar, podendo mesmo cair de novo em recessão.

O cenário sombrio foi traçado ontem pelo Banco de Portugal no seu boletim económico de Verão. A instituição, agora liderada por Carlos Costa, até reconhece os resultados melhores que o esperado que se registaram no primeiro semestre deste ano, revendo em alta a sua estimativa de crescimento económico para 2010 de 0,4 para 0,9%.

No entanto, afirma logo a seguir que “o dinamismo da procura interna observado na primeira metade de 2010 não se deverá revelar sustentável”, concluindo que deverá acontecer “uma forte desaceleração da economia portuguesa já a partir do segundo semestre de 2010 e que se acentuará em 2011”. Para o próximo ano, o banco prevê agora um crescimento de apenas 0,2% (contra os 0,8% que antecipava em Março) e afirma que existe uma probabilidade superior a 50 por cento de o país reentrar mesmo em recessão.

O problema está principalmente naquilo que irá acontecer ao rendimento das famílias. É que depois de terem visto, em 2009, o seu rendimento disponível crescer em média, em termos reais, 1,9%, os portugueses vão ter de enfrentar, neste ano e no próximo, uma deterioração clara da sua situação financeira. Não só a inflação vai voltar a valores positivos (com uma ajuda do IVA de 0,4 pontos), como os salários vão crescer muito menos e as taxas de juro vão regressar a uma trajectória ascendente.

O rendimento disponível real deverá cair 1,3% em 2010 e 0,8% em 2011. A consequência óbvia é que haverá, mesmo para quem consegue manter o seu emprego, menos dinheiro para gastar. E o impacto no consumo das famílias é quase imediato. Este ano, o consumo privado ainda cresce a uma taxa de 1,3% mas, em 2011, a quebra projectada é de 0,9%. Público

+Ler notícia: http://economia.publico.pt/Noticia/a-crise-ja-deixou-de-ser-sentida-apenas-pelos-que-perderam-o-emprego_1446655

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